A cirurgia de Mohs

O Câncer de Pele e a indicação da Cirurgia de Mohs

Entenda por que sua cirurgia foi indicada e como ela funcionará

Se você chegou até aqui, provavelmente recebeu de seu dermatologista a indicação para realizar uma “Cirurgia Micrográfica de Mohs” e tem dúvidas sobre o que isso significa. Não se preocupe – você está no caminho certo para o tratamento mais eficaz disponível para seu tipo de câncer de pele.

A cirurgia micrográfica de Mohs não é indicada para todos os casos de câncer de pele. Seu dermatologista fez essa recomendação porque seu tumor apresenta características específicas que tornam esta técnica a melhor opção de tratamento.

Por que não é uma cirurgia "normal"?

Na cirurgia convencional, o médico remove o tumor com uma margem de segurança de 4-6mm ao redor da lesão visível. O problema é que muitas vezes essa margem não é suficiente, ou remove tecido saudável desnecessariamente.

Na Cirurgia Micrográfica de Mohs, o objetivo é a retirada completa do tumor, checando bordas cirúrgicas laterais e profundas, por método de congelação a fresco e realização das lâminas de histopatologia com análise das mesmas, antes do fechamento da ferida operatória.

Este processo pode contar com várias etapas, dependendo do tipo de tumor e do seu acometimento na pele. A outra finalidade deste tipo de cirúrgica é poupar tecidos sadios em áreas consideradas nobres como face, principalmente próximo ao nariz, pálpebras, orelhas e lábios, fazendo com que a reconstrução seja realizada com mais segurança do que uma cirurgia convencional.

O passo a passo da Cirurgia de Mohs

Entenda por que sua cirurgia foi indicada e como ela funcionará

A cirurgia de Mohs é realizada em etapas, sempre sob anestesia local, em ambiente ambulatorial. Você permanecerá consciente e confortável durante todo o processo.

etapa 1

Preparação e Anestesia

  • Aplicação de anestesia local na região do tumor
  • Limpeza e preparação do campo cirúrgico
  • Em alguns casos, curetagem (raspagem) inicial da lesão para delimitar melhor suas bordas

etapa 2

Primeira Excisão

  • Remoção da lesão visível com uma margem mínima (1-2mm)
  • Diferencial da técnica: A peça é cuidadosamente mapeada e orientada
  • Cada fragmento é marcado com cores específicas para identificar sua localização exata
  • Hemostasia (controle do sangramento)
  • Curativo temporário

etapa 3

Processamento Laboratorial Imediato

Enquanto você aguarda confortavelmente:

  • A amostra é levada ao laboratório anexo ao centro cirúrgico
  • Congelamento rápido da peça (-20°C)
  • Cortes histológicos especiais que permitem examinar 100% das margens
  • Coloração das lâminas para análise microscópica

etapa 4

Análise Microscópica Completa

  • O cirurgião examina pessoalmente cada lâmina ao microscópio
  • Análise de 100% das bordas laterais e profundas
  • Identificação de qualquer célula tumoral residual
  • Mapeamento preciso das áreas ainda comprometidas

etapa 5

Resultado do Primeiro Estágio

Se as margens estão livres de tumor:

  • Procedemos à reconstrução da ferida
  • Cirurgia finalizada com sucesso


Se ainda há tumor nas margens:

  • Nova excisão APENAS das áreas onde o microscópio identificou células tumorais
  • Repetição do processo até que todas as margens estejam livres
  • Em média, 80% dos casos são resolvidos em 1-2 estágios

etapa 6

Reconstrução

  • Fechamento da ferida cirúrgica
  • Pode ser por fechamento direto, enxerto ou retalho, dependendo do tamanho e localização
  • Curativo definitivo
  • Orientações pós-operatórias

Vantagens da Cirurgia de Mohs

Por que esta técnica é considerada o “padrão-ouro”?

Taxa de cura excepcional

Maior que 99% para tumores primários e Maior que 95% para recidivados

Preservação máxima de tecido

Remove apenas o necessário

Precisão microscópica

Análise de 100% das margens

Resultado estético superior

Procedimento ambulatorial com anestesia local

Outras técnicas 
Micrográficas utilizadas

A técnica de Mohs, que leva o nome do criador desta modalidade, foi sendo modificada ao longo dos anos, mas é, sem dúvida, a mais conhecida e divulgada no meio médico e científico.

Existem outras técnicas descritas, que diferem na execução, na forma de se preparar e cortar as peças para análise histopatológica, podendo ser indicadas de acordo com o tipo, tamanho e localização do tumor de pele, sendo elas: Munique, Tubingen, Slow Mohs, Muffin. O mais importante é que todas visam garantir margens cirúrgicas livres de lesão e o médico pode, analisando o caso, definir pela técnica mais adequada para cada situação.

O que esperar da sua cirurgia

O timeline do seu tratamento